Preparação para a Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo

Amanhã, celebra-se a solenidade de Cristo Rei, a qual põe fim ao ano litúrgico. Domingo que vem, no advento, começa um tempo novo e um ano novo.

Por isso, convido-os a ler o trecho abaixo, extraído do oficio das leituras da liturgia das horas da festa de Cristo Rei.

Deus é Rei, e se vestiu de majestade. Nos seus dias, a justiça florirá, e todos os povos da terra hão de adorá-lo.

Afinal, não podemos perder de vista a razão de toda a música litúrgica: não cantamos para o povo, mas sim para um Rei.

Do Opúsculo sobre a oração, de Orígenes, presbítero
(Cap. 25: PG 11, 495-499) (Séc. III)

Venha o teu reino
O Reino de Deus, conforme as palavras de nosso Senhor e Salvador, não vem visivelmente, nem se dirá:
Ei-lo aqui ou ei-lo ali; mas o reino de Deus está dentro de nós (cf. Lc 16,21), pois a palavra está muito
próxima de nossa boca e em nosso coração (cf. Rm 10,8). Donde se segue, sem dúvida nenhuma, que quem
reza pedindo a vinda do reino de Deus pede – justamente por ter em si um início deste reino – que ele
desponte, dê frutos e chegue à perfeição.

Pois Deus reina em todo o santo e quem é santo obedece às leis espirituais de Deus, que nele habita
como em cidade bem administrada. Nele está presente o Pai e, junto com o Pai reina Cristo na pessoa perfeita,
segundo as palavras: Viremos a ele e nele faremos nossa morada (Jo 14,23).

Então o reino de Deus, que já está em nós, chegará por nosso contínuo adiantamento à plenitude, quando se completar
o que foi dito pelo Apóstolo: sujeitados todos os inimigos, Cristo entregará o reino a Deus e Pai, a fim de que Deus
seja tudo em todos(cf. 1 Cor 15,24.28). Por isto, rezemos sem cessar, com aquele amor que pelo Verbo se faz divino;
e digamos a nosso Pai que está nos Céus: Santificado seja teu nome, venha o teu reino (Mt 6,9-10).

É de se notar também a respeito do reino de Deus: da mesma forma que não há participação da justiça com a
iniqüidade nem sociedade da luz com as trevas nem pacto de Cristo com Belial. (cf. 2 Cor 6,14-15),
assim o reino de Deus não pode substituir junto com o reino do pecado.

Por conseguinte, se queremos que Deus reine em nós, de modo algum reine o pecado em nosso corpo mortal (Rm 6,12), mas mortificaremos nossos membros que estão na terra (cf. C1 3,5) e produzamos
fruto no Espírito. Passeie, então, Deus em nós como em paraíso espiritual, e reine só ele,
junto com seu Cristo; e que em nós se assente à destra de sua virtude espiritual, objeto
de nosso desejo. Assente-se até que seus inimigos todos que existem em nós sejam reduzidos a
escabelo de seus pés (S1 98,5), lançados fora todo principado, potestade e virtude.

Tudo isto pode acontecer a cada um de nós e ser destruída a última inimiga, a morte (1 Cor 15,26). E Cristo diga também dentro de nós: Onde está, ó morte, teu aguilhão? Onde está, inferno, tua vitória?
(1 Cor 15,55;cf. Os 13,14). Já agora, portanto, o corruptível em nós se revista de santidade e de
incorruptibilidade, destruída a morte, vista aimortalidade paterna (cf. 1 Cor 15,54),
para que, reinando Deus, vivamos dos bens do novo nascimento e da ressurreição.

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